quinta-feira, 20 de agosto de 2009

NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS...

Lembro-me perfeitamente das conversas com minha saudosa genitora em que ela me confidenciava como eram os namoros na sua juventude. Contava-me que ficava horas na janela, enquanto meu pai da esquina contentava-se em fitá-la de longe. Eu ria porque achava engraçada essa forma de namoro. E para todos os efeitos eles eram namorados, e apenas uma vez por semana se dava esse tão estranho namoro. Geralmente em finais de semana. Para ficarem noivos ,o pretendente devia conversar com o pai da eleita e ambos noivavam sentados na sala, tendo a seu lado o pai e a mãe. Velhos tempos... costumes familiares de gente tradicional, que resguardava o respeito de uns para com outros. Em minha juventude já tudo era diferente. Rodavamos pelo jardim da praça e com olhares furtivos escolhiamos nossos "flerts". Eram muitos... Quando a "paquera" já durava bastante com um aceno de cabeça um deles pedia o nosso consentimento para o namoro. Saíamos então das tais rodas,e iamos passear pelas rua ou então sentar no banco do jardim. Mas era com todo respeito; o máximo que se podia fazer era colocar o braço em volta da moça quando sentados. As vezes íamos assistir um filme no cinema local:o Vitória, que até hoje se encontra lá na praça. E no escurinho do cinema , o namorado arriscava roubar um beijo, tudo muito sutilmente porque o lanterninha(rapaz que passeava pelas cadeiras) se percebesse iluminava o casal com sua lanterna. Era o aviso para que nos mantivéssemos apenas de mãos dadas. Nadamais! Óh que tempinho bom era aquele... tão puro, tão singelo! A noiva ia para o altar, pura e casta, não havia tempo para que isso fosse diferente. E nem a gente teria a coragem de mudar o modo do namoro. Como os tempos atuais se modificaram! Hoje o fato de se manter na pureza ,tanto para o homem ,quanto para a mulher , é considerado como tremenda cafonice. Sinal dos tempos!!! não estou querendo dizer que meu tempo de juventude era o mais certo. Não! apenas que para a minha época ele foi o ideal. Talvez que se eu vivesse hoje na fase de minha mocidade eu também aceitasse essa forma de viver. Quem sabe? Estou simplesmente fazendo comparações de épocas remotas,com a de hoje. Quem tiver a paciência de ler ,saiba me perdoar se minhas palavras forem desconfortáveis. É apenas uma comparação sem o intuito de ofender quem quer que seja.

Um comentário:

Gabe Manzo disse...

É mesmo, vó.. acho que a analogia das épocas ilustra que o tempo faz mudar os costumes e a maneira de expressar os sentimentos.. acho que todas essas demonstrações são bonitas e importantes, e que no fundo o que importa é estar com quem se ama!
Um beijão, vó!!