sábado, 15 de outubro de 2011

15 de outubro- Dia do Professor.

Ah1 como me lembro daquele 30 de maio de 1956. Inda me soa na memória auditiva o azáfama, a correria daquela manhã no auditório do Centro do Professorado , o vozerio dos candidatos ao cargo do magistério. Naquele tempo tão distante, ser professor era o anseio de quase todas as jovens, e também havia candidatos do sexo masculino que almejavam ser mestres.

Naquele anfiteatro apinhado de gente de todo o Estado, pessoas com listas de escolas ,esperavam ansiosamente a chamada de seus nomes a fim de escolherem aquela que seria a sua primeira escola e seu primeiro trabalho como professor.

Eu, como todos os que ali se encontravam, também aguardava a minha vez. E ela chegou, escolhi o que me parecia ser o melhor:um grupo escolar, já que não desejava lecionar em zona rural. A escolha foi o grupo escolar de Guaraciaba D,Oeste, na região da Alta Paulista.

Achei que havia feito o melhor ,tinhamos casado a pouco tempo e seu Angelo ,me acompanharia para a referida localidade. Juntamos nossas roupas nas malas e partimos para lá. Na época a condução era por via férrea. Tomamos o trem na estação de Limeira -trem de luxo- o melhor que havia naquele tempo. A 1a. parada era Bauru, depois tomamos um trenzinho de fogo-- Mais simples, movido à lenha , que balançava bastante e era mais demorado.

Após umas 3 hs, chegamos na estação de Tupi Paulista, cidade pequena , onde deveríamos pernoitar para na manhã seguinte, prosseguir a viagem. Logo ao amanhecer tomamos um táxi, o chofer,era um japonesque nos levou a tão aguadada Guaraciaba D,Oeste. Ao descer do táxi- que decepção! era um lugarejo com pouco mais de umas 10 casas. Não havia ruas calçadas , chão de terra, casas de madeira, e fomos até um casarão ,que era a pensão(a única do lugar) onde paramos e onde ficariamos morando.

A escola,ou seja ,o grupo escolar era um casarã de madeira, que ficava a uns 100 metros da pensão. Mas, assim mesmo, achávamos que deveríamos nos acostumar ali,tão distante de nossa cidade natal. Com o passar dos dias fomos vendo que aquilo era UMA ROUBADA! meu Deus, a comida era escassa, banho se tomava num lugar fora da casa fechado por tábuas, e o chuveiro ( que só tinha o nome) consistia numa espécie de balde ,sob nossas cabeças que despejava água fria. Enquanto um tomava o babanho dentro daquele cubículo,outro ficava do lado de fora tomando conta.
Para encurtar a estória--- ficamos ali cerca de alguns meses.

Não dava para se aguentar mais! Passamos, fome, frio, medo, perigos, enfim, graças a meu querido pai, que não poupou esforços ,consegui me remover para Limeira. Aquele sufoco, serviu muito de lição para nós. èramos dois jovens inexperientes da vida, e nos lançamos nessa empreitada tão louca! Depoiis disso lecionei em muitas escolas, cuidei de muitas crianças, dei muito de minha vida nessa profissão.

O melhor dela é saber que hoje deixei um pouquinho de mim em cada coraçãozinho daqueles meus alunos. Lembro bem de alguns deles ,impossível lembrar de todos, mas, sei que em algum lugar ,em alguma criança ficou a lembrança daquelas horas felizes de aula.

O mérito maior não consiste no salariol´rio que se recebe, porém ,na alegria de se ter feito o melhor trabalho em prol daquelas criaturinhas que em nós depositavam sua esperança de dias melhores para si .

Tenho muitas lembranças felizes daqueles tempos saudosos e se pudesse começaria tudo de novo outra vez!


sábado, 8 de outubro de 2011

Definição de filho ( José Saramago )

Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos,de como mudar nossos piores defeitospara darmos os melhores exemplos e de aprender a ter coragem. Isto mesmo! ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor,principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.